domingo, 26 de outubro de 2014

Custa caro ser saudável?

A postagem de hoje irá abordar a relação entre os alimentos saudáveis e seu custo na atualidade, refletindo sobre o seu consumo entre as classes sociais. Podemos perceber esse fato quando observamos que o preço de alimentos naturais, como por exemplo, um suco de fruta pode custar mais caro que um refrigerante. Ou quando observamos na feira a diferença de preço entre as frutas e verduras 'orgânicas' e as comuns. Podemos perceber nesses fatos que a cultura de vida saudável está se transformando em algo que pode ser vendido.
Assim observamos o crescimento do consumo de produtos industrializados. E além disso, há o excesso de mídias incentivando o consumo de tais produtos. As propagandas incentivam o consumo de alimentos que nem sempre fazem bem a nossa saúde, e muitos têm em excesso nutrientes que não devem ser consumidos em grande quantidade, como a gordura saturada, a gordura trans, o açúcar e o sódio. E por outro lado, observamos que tornou-se menos comum vermos propagandas estimulando o consumo de alimentos saudáveis como verduras, legumes, frutas e outros alimentos que são ricos em nutrientes.
Foram surgindo produtos cada vez mais atraentes e saborosos, com a introdução de novos ingredientes para garantir a maior aceitação da população. Açúcar para adoçar; gordura saturada e gordura trans para dar maior maciez, leveza e cremosidade; sódio para acentuar o sabor; corantes para dar uma cor especial e aromatizantes para dar um cheiro irresistível. Porém, todos esses produtos provocaram uma redução na qualidade nutricional dos alimentos. Mas apesar disso, alguns deles têm se tornado muito populares e cada vez mais desejados pela população, como os salgadinhos, refrigerantes, sorvetes, biscoitos, entre outros.
E parcela da população habituou-se a comer esses alimentos, desconsiderando que os excessos podem levar a diversos problemas de saúde, como a obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.
Desse modo, é de grande importância o incentivo à alimentação saudável. Lembrando que uma alimentação balanceada não necessariamente precisa ser cara, e pode ser feita com alimentos naturais produzidos na região onde se vive. Destacando-se que esses hábitos podem se transformar em economia quando se percebe os benefícios que a alimentação saudável pode trazer, prevenindo doenças e, por conseguinte, gastos com remédios e tratamentos.


Referências Bibliográficas
Contando carboidratos. Alimentação saudável custa mais caro. Disponível em: http://contandocarboidratos.wordpress.com/2011/02/16/alimentacao-saudavel-custa-mais-caro/ Acesso em: 24/10/2014.
ANVISA. Alimentação Saudável: Fique Esperto! Brasília/DF. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/propaganda/alimento_saudavel_gprop_web.pdf Acesso em: 24/10/2014.

domingo, 19 de outubro de 2014

Carências de Micronutrientes e as Classes Sociais


A alimentação e a nutrição são fatores fundamentais para o desenvolvimento do ser humano e devem andar em conjunto com ações integradas voltadas para a prevenção e a promoção da saúde e de modos de vida saudáveis. No post de hoje discutiremos as carências de micronutrientes, principalmente as relacionadas à vitamina A, ferro e iodo, e as suas relações com as classes sociais.
Segundo Brasil (2007), uma em cada três pessoas no mundo é afetada pela deficiência de vitamina A, ferro ou iodo. E as manifestações clínicas dessas carências, como morte materna e infantil, resposta imunológica diminuída, cegueira, retardo mental e anemia, afetam mais de meio bilhão da população mundial.
Tais efeitos devastadores são somente parte do problema, e outros dois bilhões de pessoas moradores de áreas de baixo nível socioeconômico, tanto na área urbana quanto na rural, possuem carências em micronutrientes, sendo impossibilitados de alcançar seu potencial de desenvolvimento físico e mental.
A carência de vitamina A é responsável por uma série de problemas de saúde. É já sabido há muito tempo que a deficiência deste micronutriente, que afeta milhões de crianças no mundo, pode levar à cegueira. E até nos casos de deficiência leve, pode haver comprometimento do sistema imunológico, o que reduz a resistência à diarréia e ao sarampo, contribuindo para a morte de, respectivamente, 2,2 milhões e 1 milhão de crianças por ano no mundo.
Já a deficiência do ferro é importante fator para o desenvolvimento da anemia. Tal carência é atualmente um dos mais graves problemas nutricionais mundiais, sendo causada na maioria das vezes pela ingesta deficiente de alimentos ricos em ferro ou pela inadequada utilização orgânica. Calcula-se que aproximadamente 90% de todos os tipos de anemias no mundo advenham da deficiência de ferro.
E, por fim, a deficiência de iodo, segundo BRASIL (2007), é a causa mais comum e prevenível de retardo mental e danos cerebrais no mundo. Sendo esta deficiência também responsável pela redução do crescimento e do desenvolvimento infantil, trazendo sérias complicações às crianças, como baixa estatura, apatia, atraso no desenvolvimento cerebral, prejuízos à capacidade motora, à fala e à audição, entre outros. Tal deficiência ocorre principalmente em regiões montanhosas ou sujeitas a frequentes inundações, que retiram o iodo do solo, prejudicando, dessa forma, a adequada ingestão desse mineral por parte da população. A deficiência de Iodo também está relacionada ao desenvolvimento do bócio, que é o aumento da glândula tireóide, e a um total de 60 mil abortos naturais, natimortos e mortes de recém-nascidos anualmente no mundo, decorrentes de grave carência de iodo no início da gestação.
O Brasil aprovou em 1999 a Política Nacional de Alimentação e Nutrição através do Ministério da Saúde e em conformidade com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB 2006), tendo como base principal a promoção da realização do direito humano à alimentação, a segurança alimentar e nutricional e a nutrição de toda a população brasileira. Uma de suas diretrizes de ação baseia-se na prevenção e no controle dos distúrbios nutricionais e das doenças associadas à alimentação e à nutrição.
As ações do Ministério da Saúde têm como objetivo reduzir as deficiências de micronutrientes na população brasileira, e estão apoiadas também na suplementação com megadoses de vitamina A e suplementos de sulfato ferroso, na fortificação de alimentos, como farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico e na adição de iodo no sal para consumo humano.
Outro fato a se destacar é que algumas carências de micronutrientes, como por exemplo, a anemia, ocorrem não apenas em parcelas de baixo nível socioeconômico da população, mas estão disseminadas em todas as classes de renda devido aos costumes alimentares inadequados.
Continuem acompanhando as postagens e tenham uma boa semana!


Referências Bibliográficas

Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Carências de
Micronutrientes.
Brasília: Ministério da Saúde, 2007. Disponível em: http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/abcad20.pdf Acesso em: 18/10/2014.

domingo, 12 de outubro de 2014

Fome e Desnutrição

A história da saúde e das doenças está intimamente atada à história do abastecimento alimentar. Dante, em sua obra “A Divina Comédia”, já definia a fome como sendo a principal das calamidades que assolam a humanidade, tendo como consequência a morte mais miserável de todas. Provocando um lento suplício, dores prolongadas, sendo um mal que habita e se esconde no interior do ser, uma morte lenta a chegar.¹
A alimentação é então a luta contra a fome, mas nem sempre essa batalha foi vitoriosa para a humanidade. Observamos que a capacidade de produção de alimentos influenciou fatores como a localização de comunidades, o seu nível de povoamento e de densidade populacional. Porém a produção e a disponibilidade social desses alimentos têm obedecido a uma dinâmica milenar de desigualdades na distribuição e de crises alimentares, tendo como consequência a fome a assolar o passado e o presente da humanidade.¹ As grandes fomes na atualidade decorrem não somente da ausência de alimentos disponíveis em determinadas regiões, mas sim da impossibilidade enfrentada por muitas populações em obter tais alimentos. Carneiro (2003) resume que o que falta não é pão, mas sim “ganha-pão”.²
A definição de fome não envolve apenas a sensação que temos antes de comer, mas é caracterizada como o estado crônico de carências nutricionais que podem levar o ser humano à morte por inanição ou às doenças da desnutrição. Tentativas de classificação da fome chegaram a conceitos como fomes agudas, subalimentação crônica ou fome oculta (carências qualitativas de proteínas ou vitaminas).¹
As deficiências nutricionais abrangem várias modalidades de desnutrição, e são doenças que decorrem do insuficiente aporte alimentar em energia e nutrientes ou ainda do inadequado aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos – geralmente decorrentes da presença de doenças, em particular as infecciosas. As deficiências nutricionais podem ser diagnosticadas por meio de exames clínicos e laboratoriais. E por serem sabidamente mais vulneráveis a deficiências nutricionais, as crianças são geralmente escolhidas como grupo indicador da presença da desnutrição na população, calculando-se o percentual de crianças com retardo de crescimento, que é a mais precoce manifestação de desnutrição na infância.³
Os problemas nutricionais mais graves nos países em desenvolvimento incluem a desnutrição protéico-energética, anemia ferropriva, hipovitaminose A e morbidade por deficiência de iodo. A forma mais comum é a primeira, e ela ocorre com mais frequência durante o período de desmame, entre os 04 e 18 meses de idade.
Dessa forma, as ações que combatam eficientemente a pobreza serão de grande valia para a luta contra a desnutrição, juntamente à intensificação dos investimentos em educação, saneamento básico e cuidados primários de saúde, que são essenciais para se alcançar a tão necessária erradicação das deficiências nutricionais.¹

Referências Bibliográficas

1. CARNEIRO, Henrique S. Comida e Sociedade: Significados Sociais na História da Alimentação. História: Questões & Debates. Curitiba: Editora UFPR, 2005.
2. REZENDE, Marcela Torres. A alimentação como objeto histórico complexo: relações entre comidas e sociedades. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, nº 33, janeiro-junho de 2004, p. 175·179. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2206/1345 Acesso em: 02/10/2014.
3. MONTEIRO, Carlos Augusto. Fome, denutrição e pobreza: além da semântica. Saúde e Sociedade. V.12, n.1, p.7-11, jan-jun 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v12n1/03.pdf Acesso em 11/10/2014.
4. SOARES, N. T. et al. Estado Nutricional de Lactentes em Áreas Periféricas de Fortaleza. Rev. Nutr., Campinas, 13(2): 99-106, maio/ago., 2000. Disponível em : http://www.scielo.br/pdf/rn/v13n2/7912.pdf Acesso em 11/10/2014.

domingo, 5 de outubro de 2014

Aspectos Históricos da Alimentação: Comida x Sociedade

A alimentação é uma das mais básicas necessidades humanas, indo muito além de uma necessidade biológica, pois envolve um complexo sistema simbólico de significados sociais, políticos, religiosos, éticos e estéticos.
A fome biológica difere do apetite, mas se materializa em hábitos, ritos e costumes, marcados por uma intrínseca relação com o poder. O que se come é tão importante quanto quando se come, onde se come, como se come e com quem se come.
As variações dos hábitos alimentares e dos contextos que cercam tais hábitos é um tema que envolve diversos fatores. O estudo da alimentação foi estabelecido nos últimos dois séculos a partir de quatro enfoques: o biológico, o econômico, o social e o cultural. Abrangendo, dessa forma, os aspectos fisiológico-nutricionais, a história econômica, os conflitos na divisão social e a história cultural da alimentação.
Quanto ao enfoque biológico e social, podemos citar os problemas quanto ao ambiente sociocultural e as avaliações individuais e coletivas (comida como divisão social e como ação simbólica, religiosa e comunicativa) e os conteúdos nutritivos e as consequências para a saúde.
A alimentação pode ser ainda abordada a partir do estudo dos hábitos alimentares, e de como certos padrões de consumo se estabelecem e se alteram.
A medicina vem desde a Antiguidade buscando desvendar os mistérios do metabolismo humano e, particularmente, o fenômeno da digestão. A história da alimentação tem como fonte de informações a própria história da medicina. As teorias nutricionais, a ideia da digestão e as prescrições dietéticas nos revelam informações sobre os hábitos e concepções de uma época. Grande parte das literaturas grega e latina clássicas que se referem à alimentação era relacionada a Tratados Médicos.
As ciências modernas sobre a nutrição desenvolveram-se a partir do séc XIX, reunindo avanços das ciências naturais e os da medicina, mantendo um enfoque exclusivamente biológico. A investigação nutricional examinou o processo da digestão no organismo humano, obtendo informações para a modificação das dietas de acordo com a idade, gênero e ocupação. Importante destacar também a busca de um tratamento dietético adequado das doenças relacionadas ao processo digestivo.
Muitos estudiosos da nutrição têm focado seu campo exclusivamente como um ramo da bioquímica, como um processo orgânico e metabólico. Mas isto não esgota, contudo, a dimensão humana da alimentação, que envolve ainda as questões econômicas, sociais e culturais.
A comida além de primeira necessidade do ser humano é também um prazer. Fazendo parte das necessidades básicas, mas também expressando os desejos humanos.
Os antigos hipocráticos acreditavam que o calor seria o responsável pela assimilação orgânica dos alimentos, mas apenas no período moderno, a partir do séc XVIII evidenciou-se a natureza química da digestão, pelo famoso cientista Lázaro Spallanzani (1729-1799), que demonstrou a acidez do suco gástrico.
Somente no séc XX foi estabelecida mais claramente a natureza bioquímica da fisiologia da nutrição. A composição dos alimentos assemelha-se à do corpo, portanto necessitamos de água, sal, carboidratos, proteínas, lipídios, fibras, sais minerais e vitaminas, para fornecer as fontes de energia e os catalisadores bioquímicos necessários ao nosso organismo.
As descobertas na medicina sobre a relação entre saúde e alimentação levaram à identificação de uma série de enfermidades causadas pelas carências de nutrientes específicos, como a anemia por deficiência de ferro, ou por excessos alimentares, como a hipercolesterolemia pelo excesso na ingestão de gorduras. No séc XX, o descobrimento das vitaminas fundamentou cientificamente a causa de algumas destas deficiências alimentares, ampliando a compreensão sobre a fisiologia da nutrição.
Nos últimos anos, os estudos nutricionais também identificaram a ocorrência de determinadas agravos com relação a dietas particulares. Como a menor incidência de problemas cardiovasculares entre os franceses e os japoneses, apesar de uma dieta rica em colesteróis. Fato explicado pelo hematólogo francês Serge Renaud pelo consumo moderado de vinho tinto por estas populações, o que atuaria como fator de prevenção das enfermidades cardiovasculares.
Deste modo, torna-se clara a interação entre comida e sociedades. Os padrões de consumo não são apenas distintos, mas também são repletos de significados sociais e simbólicos, chegando mesmo a refletir valores, conflitos e dilemas dos grupos humanos ao longo da história.

Referências Bibliográficas

CARNEIRO, Henrique S. Comida e Sociedade: Significados Sociais na História da Alimentação. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 42, p. 71-80, 2005. Editora UFPR.

REZENDE, Marcela Torres. A alimentação como objeto histórico complexo: relações entre comidas e sociedades. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, 33, janeiro-junho de 2004, p. 175·179. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2206/1345 Acesso em: 02/10/2014.